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Os docentes são realmente competentes no mundo digital? Como escolher os melhores instrumentos de avaliação

Autor do artigo
López-Nuñez JA, Alonso-García S, Berral-Ortiz B, Victoria-Maldonado JJ
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Referências do artigo

López-Nuñez JA, Alonso-García S, Berral-Ortiz B, Victoria-Maldonado JJ. A systematic review of digital competence evaluation in higher education. Educ Sci (Basel). 2024;14(11):1181. doi:10.3390/educsci14111181.

Área temática
Aprendizagem virtual e desenvolvimento profissional
Palavras-chave
Educação a Distância, Docentes, Tecnologia Educacional, Alfabetização Digital, Avaliação de Programa
Como citar este comentário do artigo?

García Dieguez M. Comentário sobre a Os docentes são realmente competentes no mundo digital? Como escolher os melhores instrumentos de avaliação. [Internet]. Organização Pan-Americana da Saúde. Repositório Bibliográfico. Citado em: 10/07/2025. Disponível em: https://campus.paho.org/pt-br/repo/docentes-sao-realmente-competentes-mundo-digital-escolher-melhores-instrumentos-avaliacao

Autor do comentário

García Dieguez M.
CEEProS Universidad Nacional del Sur

Recomendação de leitura

Este artigo apresenta uma excelente síntese para educadores e pesquisadores que precisam selecionar instrumentos válidos para avaliar a competência digital de docentes do ensino superior. Por meio de uma revisão sistemática de 47 estudos publicados entre 2019 e 2024, identifica os referenciais conceituais predominantes no cenário internacional, as ferramentas de avaliação mais utilizadas e as principais lacunas existentes entre diferentes regiões do mundo. Embora não seja direcionado especificamente à educação dos profissionais da saúde, seus resultados são altamente transferíveis para cursos de Medicina, Enfermagem e demais áreas da saúde que buscam fortalecer o ensino híbrido, a educação a distância e o desenvolvimento docente baseado em evidências. Além disso, oferece orientação útil para pesquisadores interessados em selecionar instrumentos metodologicamente robustos para futuras investigações.

Conclusões principais

A revisão identificou 47 estudos realizados em cinco continentes e confirmou que o DigCompEdu é atualmente o referencial mais utilizado para avaliar a competência digital docente, especialmente na Europa e na América Latina, enquanto o TPACK ocupa o segundo lugar como modelo amplamente empregado. Em contraste, uma parcela significativa das pesquisas asiáticas continua utilizando questionários próprios sem processos completos de validação, dificultando comparações internacionais.

Os autores mostram que a maior parte das pesquisas utiliza instrumentos quantitativos de autoavaliação, havendo poucas avaliações objetivas de desempenho e poucas intervenções destinadas ao desenvolvimento das competências digitais. Também identificam diferenças regionais importantes: na Europa predominam dificuldades relacionadas à criação de conteúdos digitais; nas Américas destacam-se as competências pedagógicas para integrar tecnologias e realizar avaliação digital; enquanto na Ásia sobressaem competências relacionadas à colaboração e à aplicação pedagógica do conhecimento tecnológico.

Do ponto de vista metodológico, a revisão segue adequadamente as diretrizes PRISMA, utiliza critérios explícitos de inclusão e analisa duas bases bibliográficas de alto impacto (Scopus e Web of Science). Entretanto, restringe-se a artigos de acesso aberto publicados apenas em inglês ou espanhol e exclui literatura cinzenta e outras bases relevantes, podendo ter deixado de incluir estudos importantes. Além disso, não realiza metanálise nem síntese quantitativa dos tamanhos de efeito, razão pela qual suas conclusões permanecem essencialmente descritivas.

Mensagens para a prática
  1. Utilizar o DigCompEdu como instrumento de referência para diagnosticar a competência digital dos docentes.
  2. Complementar a autoavaliação com evidências objetivas, como portfólios, observação de aulas, análise de recursos digitais ou avaliação de desempenho.
  3. Priorizar a capacitação docente em criação de recursos digitais, avaliação on-line e desenho pedagógico apoiado por tecnologia.
  4. Adaptar os programas de desenvolvimento docente de acordo com as necessidades identificadas em avaliações diagnósticas.
  5. Empregar instrumentos validados para comparar resultados entre instituições e avaliar o impacto de programas de desenvolvimento docente.
  6. Reavaliar os participantes após intervenções educacionais utilizando o mesmo instrumento para medir melhorias reais na competência digital.